

Apresentar para empresários e profissionais de design do Paraná algumas das boas práticas da gestão do design de empresas brasileiras. Este foi o objetivo do Seminário Nacional Design Indústria: Melhores Práticas Brasileiras, evento promovido no dia 12 de maio, no Cietep, em Curitiba, pelo Centro de Design Paraná, em conjunto com a Unindus, IEL e Sistema Fiep, patrocínio do Senai e apoio da Central de Excelência Moveleira.
A primeira a expor sua experiência foi Cristina Zatti, gerente do Bureau de Criação da CoZa Utilidades Plásticas, empresa de Caxias do Sul (RS) que se destaca no mercado de produtos plásticos injetados para casa. A Coza produz 15 milhões de peças/ano e conta com mais de 100 colaboradores. Cristina Zatti apresentou como a Coza utiliza o marketing de relacionamento com clientes, por meio do próprio site, para obter informações que permitem aperfeiçoar o design de peças já lançadas e identificar oportunidades de inovação.
Em seguida, Noberto Bozzetti, presidente da Associação de Profissionais de Design do Rio Grande do Sul e diretor da Bozzetti Design, apresentou a palestra “Aprendendo com o Cliente”, em que comentou a importância de um bom processo de gestão de design para a relação empresa/designer. Ele apontou erros que geralmente são cometidos e que comprometem o resultado e mostrou a importância de cada etapa, desde a contratação até o produto final, para que o projeto seja bem desenvolvido. Por fim mostrou alguns cases de sua trajetória profissional como o desenvolvido para o Hospital das Clínicas.
As atividades da manhã foram encerradas com uma explanação do empresário Marcelo Cury, sobre a Companhia das Ervas. A empresa paulista atualmente tem 87 variedades de condimentos, 25 tipos de pimenta e outros 25 de molhos, e exporta para cinco países. Ele explicou a estratégia da empresa para valorizar a qualidade dos seus produtos. “A grande sacada de marketing é a embalagem”.
No horário da tarde foram apresentadas mais três experiências. O designer Gustavo Chelles falou sobre a metodologia de trabalho que utiliza no escritório paulistano Chelles & Hayashi Design. Chelles apontou a importância da pesquisa de mercado para identificar as reais necessidades do consumidor e oportunidades de inovação. Apresentou como case o tanque para lavar-roupas, produto desenvolvido para a Tigre. A pesquisa foi feita em ambientes domésticos nas classes C e D e o escritório de design adotou como conceito a transformação do improviso do dia-a-dia como diferencial de uso. Para isso, “desconstruiu” o problema, observando tudo que está envolvido no ato de usar o tanque e no ambiente de lavanderia.
Na seqüência, a empresária Nanina Rosa, diretora de criação da Imaginarium, mostrou como a empresa catarinense do setor de presentes faz para lançar, em média, 30 produtos por mês. A equipe interna da Imaginarium conta com três designers gráficos, dois de produto e três estagiários, mas desde 2003 a empresa trabalha com designers externos que enviam projetos interessantes. Atualmente a empresa não fabrica – apenas cria e comercializa. “Nosso objetivo é vender emoção, produtos bem-humorados que provoquem o cliente e que mexam com seu sentimento”.
O seminário foi encerrado com Lincoln Seragini, diretor da Seragini Farné, um dos mais importantes escritórios de design do Brasil. Seragini falou sobre inovação, marca e design. Ele ensinou que a inovação está em viabilizar as idéias e que cabe a empresa gerar muitas idéias para depurar até chegar a uma solução. “È mais arriscado não inovar, porque a empresa morre”.
Tanto na manhã como na parte da tarde o professor Acyr Seleme, do curso de pós-graduação em administração da UFPR, fez um resumo analítico dos principais pontos do seminário e o público pôde fazer perguntas e trocar experiências com os palestrantes.