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[ ARTIGO ]

Inovação é a palavra de ordem

Por Juliana Buso*

Muitas empresas brasileiras ainda não exploram toda expertise de um designer, mas esse cenário vem tendo um bom motivo para mudar: a acirrada competitividade global, que se reverte numa gama de produtos ao consumidor. Há empresários no país que já se deram conta disso. Uma prova é a trajetória nacional no iF Design Awards, prêmio europeu considerado o Oscar do design mundial.

Há sete anos consecutivos, o Brasil tem representantes entre os premiados, uma verdadeira vitrine para produtos com estratégia definida de design. Um trabalho que requer inspiração, mas especialmente, transpiração: antes do resultado final, envolve pesquisas de opinião, testes de materiais, elaboração de protótipos, planejamento mercadológico. O fato é que, seja numa micro ou numa grande empresa, empregar o design, não eventualmente e sim como uma ferramenta estratégica, faz toda a diferença: aumenta o valor agregado, oferece maior autonomia de preço, amplia lucros e abre mercados, inclusive para exportações.

É exatamente o que o Programa Design & Excellence Brazil (DEBrazil) tem procurado mostrar ao empresariado desde 2003, numa iniciativa inédita no mundo, encabeçada pelo MDIC e pela Apex-Brasil, com coordenação do Centro de Design Paraná. O programa oferece suporte financeiro e técnico para a participação de produtos nacionais no iF Design Awards. Além disso, realiza ampla divulgação dos premiados, cujo retorno em espaço de mídia chega a ser vinte vezes maior que os custos com inscrição em concursos internacionais profissionais do setor.

Em março, visitei a exposição dos ganhadores do iF neste ano, sediada no complexo de feiras da cidade alemã de Hannover. Em meio a produtos de excelência, de mais de 39 países, percebe-se que, para obter esse selo - com uma história de meio século de validação do design mundial -, não se pode abrir mão de um elemento fundamental: a inovação. A causa é a concorrência: hoje, produtos sem diferencial não têm chance de sobrevivência no mercado.

O Brasil vem se afinando e sua representação tem se dado por produtos inovadores, não apenas no design, mas também em materiais e acabamentos. A sustentabilidade, por exemplo, uma das grandes preocupações contemporâneas, vem se manifestando em todos esses quesitos. Na edição 2010 do prêmio, um case de sucesso que reúne tudo isso é o da Bengala Erlanger, fabricada por uma marcenaria paulista categorizada como microempresa. De encomenda exclusiva de um cliente - o Sr. Erlanger - a peça passou a produto seriado, graças à sua aparência de acessório pessoal, confeccionado em madeira certificada ou de reaproveitamento, sem cara de equipamento médico-geriátrico.  

A competitividade posiciona cada vez mais os selos dos concursos, nacionais e internacionais, como chancela do caráter inovador de um produto. Nesse contexto, o iF está de olho no Brasil: em 2009, inaugurou seu escritório no país, que se junta às representações na Alemanha, Taiwan e Coreia. As portas estão abertas para mostrar que o "jeitinho" brasileiro pode sim transformar ideias aparentemente simples em produtos inovadores.

 

* Designer, especialista em marketing e coordenadora de projetos do Centro de Design Paraná, onde é responsável pelo Programa Design & Excellence Brazil (DEBrazil).

 

 

Anexos:

Artigo_Inovacao_e_a_palavra_de_ordem_Juliana_Buso.doc (0.03 Mb)

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